Carisma e Espiritualidade
O CARISMA DAS FILHAS DOS SAGRADOS CORAÇÕES

Uma semente é colocada no coração do jovem padre Farina, em 1831, aos 28 anos, quando foi-lhe pedido que assumisse a direção da Escola de Caridade: é um princípio de vida. Um eco da voz divina que se infunde nele e o penetra, até ocupar o coração e a mente, o corpo e a alma, fazendo dele um homem de Deus, um homem do Espírito.
A inspiração primordial, como chamamos, é como uma iluminação que abrange completamente a pessoa e a guia irresistivelmente, muitas vezes contra a sua tendência natural, a iniciar uma obra específico.
O carisma transmitido pelo Fundador, acolhido pelo dom do Espírito pelas muitas pessoas que são parte da Congregação, como “Irmãs Mestras de Santa Doroteia Filhas dos Sagrados Corações”, membros efetivos de uma família religiosa, contém em sua denominação a finalidade apostólica e a espiritualidade que as caracterizas. Percorreu um longo caminho, para responder de modo sempre novo e concreto ao intenso desejo de Jesus “vim trazer o fogo à terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lc 12,49) – Ressoou no coração do Farina suscitando uma dilatação perceptível nas filhas, o suficiente para fazê-lo dizer: “E vocês atraídas pelo Coração de Cristo, deste fogo foram investidas e queimam constantemente”.

Em força deste dom, como “Filhas” encarnam os sentimentos dos Sagrados Corações de Jesus e Maria em um “excesso de caridade a ponto de dar a vida”, com traços femininos de amabilidade, ternura, misericórdia e compaixão.
Este dom, confiado às Filhas dos Sagrados Corações, leva-as a viver uma caridade que “não tem froteiras nem conhece limitações”, uma “caridade rara, excelente e novíssima”, que as torna capazes de entrar em um projeto levando-as a “mergulhar no Coração de Jesus, para serem as suas contempladoras secretas, a penetrar nas profundezas do amor e a sondar as riquezas do seu Coração”.
O caminho para chegar lá, é o da humildade, da pobreza (à imitação de Maria que é a primeira entre os humildes e os pobres do Senhor) e o da obediência, como paixão pela vontade de Deus que marca sempre todas as decisões.
A conformação ao Coração de Jesus, tendo como exemplo o Coração de Maria, traça o perfil da Filha dos Sagrados Corações: amável nos seus sentimentos profundos e na sua maneira de tratar com as pessoas, mulher que conhece a ternura, meiga e forte, impertubável na mansidão, constante na afabilidade, persintente na paciência, revestida de compaixão e dispenseira de misericórdia.

O grande impulso apostólico entre o fim do século XIX e os primeiros decênios do século XX parece ter sido fruto do movimento espiritual particularmente significativo para o desenvolvimento e o amadurecimento do Carisma do Instituto que, entre as suas expressões, teve também a instituição da adoração perpétua. Adoração perpétua significa adoração ininterrupta, noite e dia, de Jesus realmente presente na Eucaristia, a quem se confiam as expectativas da vida e de esperança do mundo inteiro.
Começou em 1897, por iniciativa da Irmã Azélia Doroteia Farinea, superiora geral de 1896 a 1939, e de Monsenhor João Maria Vivini, nomeado pelo Fundador em 1888 para lhe suceder como diretor até 1926.
Em síntese, a expressão visível do carisma se realiza no hoje da Congregação nos meios que conduzem ao fim – na educação, na saúde e nas atividades pastorais – onde cada Irmã Doroteia Filha dos Sagrados Corações impulsionada pela missão, com aquele fogo do Espírito que ardia no coração do Farina, procura com o estilo de vida que lhe é próprio como dom da pertença religiosa à Congregação, desenvolver o duplo movimento de receber e doar aquela maternidade da Igreja lembrando sempre a expressão que trazem no verso da medalha “suaviter et fortiter”.
