São Luís – MA
COMUNIDADE SÃO JOÃO ANTONIO FARINA

Na Arquidiocese de São Luis, temos a Comunidade São João Antônio Farina – uma comunidade educacional que inclui: creche e ensino fundamental, com cerca de 1050 alunos. Comunidade composta por oito irmãs, que também colaboram com uma presença significativa na paróquia na pastoral catequética, batismo, infância missionária, animação em grupo, Movimento eucarístico, Amigos de São João A Farina e visita familiar.


No Sábado, 16 de Outubro, a Escola Instituto Farina do Brasil abriu solenemente o ano em comemoração ao Centenário da Páscoa de Santa Maria Bertilla Boscardin (1922-2022).
Caminho de chão batido.Outrora, muitos santos descreveram seu caminho de santidade como uma longa escada para o Céu, o que fez com que alguns se sentissem como “formigas” tentando escalar a grande montanha das altas virtudes e outros se vissem quase incapazes de trilhar este íngreme caminho de “perfeição”. A santidade, aos poucos, foi sendo encarada como um “prêmio” para alguns eleitos, sendo quase inacessível para a grande maioria.

Santa Bertilla (1888-1922), ao contrário, cultivava dentro de si o profundo desejo de ser santa. Porém, não uma santidade feita de coisas extraordinárias, de enormes penitências, êxtases ou de longos tempos em contemplação… Não! Seu caminho não era o de escalar a montanha, mas o de percorrer a planície: preferiu o caminho do dia-a-dia, o caminho de chão batido.

Filha de camponeses, viveu a vida dura da roça, cuidou dos animais, da casa e da alma, alimentando-se da piedade devota do povo simples do campo. Por isso, dizia que queria ser santa pelo caminho mais comum: aquele das carroças dos bois, ou seja, o caminho do cotidiano, porém, vivendo de um jeito fora do comum. Seu jeito de ser consagrada, enfermeira e filha dos Sagrados Corações foi o mais baixo: viveu de forma radical a humildade e a obediência, tendo como modelo Jesus: que foi obediente até à morte e morte de Cruz.

Em 20 de Outubro de 2022, a Igreja comemorará os 100 anos da Páscoa Eterna desta pequena-grande santa e a nossa Congregação deseja viver intensamente este Centenário. Com este objetivo a comunidade de São Luís, MA, Brasil, neste Sábado 16/10/2021, celebrou solenemente a festa de Santa Bertilla com uma Missa presidida pelo Arcebispo de São Luís, Dom Gilberto Pastana.
A Celebração Eucarística foi preparada pelas irmãs, professores e colaboradores da Escola Instituto Farina, além de termos a presença do Movimento Eucarístico e de alguns padres, seminaristas e amigos que participaram deste momento solene.

Dom Gilberto enfatizou que precisamos ter cuidado para não nos preocuparmos demasiadamente com as questões temporais e materiais e esquecermos que as ações que realizamos nesta terra são em vista do Céu: Santa Maria Bertilla é um exemplo de que construímos nossa santidade nesta vida, em pequenos gestos de misericórdia e de caridade para com aqueles que encontramos em nosso caminho, como fez o “Bom Samaritano”. Ela não fez grandes discursos, mas agiu silenciosamente. Foi um anjo de bondade por onde passou.
O Arcebispo lembrou ainda as últimas palavras da Santa para a Madre antes de morrer: “Diga às irmãs que trabalhem só para Jesus, porque tudo é nada, tudo é nada”. Trabalhar só para Jesus significa: sem esperar recompensas ou elogios, sem temer as críticas e as incompreensões, dobrando o próprio orgulho e autorreferencialidade, mas buscando a comunhão e o bem comum. “Tudo é nada” porque as glórias terrenas são vãs e passam como a poeira, melhor as Glórias do Céu! Eis a verdadeira pobreza absoluta: a plena humildade.
Foi neste espírito de reconhecimento e gratidão por nossa querida Santa que, após a Missa, houve um belo momento de confraternização no parque da escola com todos os convidados e os professores foram homenageados em comemoração ao seu dia que foi no 15 anterior. Dom Gilberto foi presenteado com um ícone do Sagrado Coração de Jesus, feito pelo Prof. Adonias, em sinal de acolhida e gratidão por sua primeira visita ao Instituto Farina.
Enfim, foi uma manhã muito linda, repleta das bênçãos e graças do Céu. Que Santa Maria Bertilla continue intercedendo por nós no caminho da Santidade cotidiana!

Santa Maria Bertilla, rogai a Deus por todos nós!


Por Ir. Josiane Cardoso, f.ss.cc
Tem gente que nunca olha para cima. Conheci certa vez um homem baixinho, meio gordo, nariz carrancudo e olhos negros bem grandes, que só olhava para o chão. Quando andava na rua estava sempre a olhar os próprios pés e desviava das pessoas apenas vislumbrando as sombras que faziam à sua frente na estrada por onde passava.
Uma vida um pouco triste e monótona esta de olhar para o chão. Pode ser que alguém pense que dá certo ar de homem ocupado ou pré-ocupado com algo, ou ainda de uma pessoa importante que sempre está pensando para além deste lugar onde pisa. “Não falem comigo, estou muito ocupado” – pode pensar o homem que anda olhando para o chão.
Mas, na verdade, o homem que anda olhando para o chão não vê as nuvens, nem as estrelas ou as copas das árvores. Não vê o andar de cima das casas, a goteira no telhado ou o passarinho que fez um ninho lá no canto da casa. Ele não repara de onde vêm os assobios dos meninos que empinam pipa felizes nos terraços das casas. O homem que anda olhando para o chão não vê nada disso porque é um homem muito ocupado.

Mas, tem outro tipo de gente que anda olhando para cima. E não só para cima, mas para O Alto. Gente que não só vê, mas contempla: os rostos, os sorrisos, os olhos e as lágrimas nos olhos de outras gentes que talvez não vejam e não contemplem nada além delas mesmas. O que é mais interessante é que esta gente com os olhos para cima vê o que está para além do “olhado”, do visto: O Deus invisível, porém visível em todas as coisas porque está em tudo ao mesmo tempo em que transcende tudo.
Essa gente de “pés no chão e de coração e olhos no Céu” são os religiosos consagrados, homens e mulheres que se deixaram tomar pelo estupor da presença Divina neles e sem mais, deixaram tudo para o Tudo ganhar. São pessoas que olham, que percebem os outros nesse mundo de anônimos e que, só por isso, já são sinais de esperança, sinais “de um novo céu e uma nova terra” (Ap 21, 1).
Olhos para o alto, olhos para os lados: a todo irmão esquecido nas periferias existenciais e sociais, desterrado de sua dignidade, estrangeiro dentro de si mesmo, o consagrado traz em si um toque e um jeito que tem um quê de divino, de transcendente. Ele é enviado para estar com o povo, presente em suas lutas, e também a oferecer por eles orações e sacrifícios a Deus. Que bela missão: olhar para os lados, olhar para dentro, olhar para o Céu!

Foi com os olhos fixos na meta que é Cristo que um grupo de 30 religiosos e religiosas de diversas congregações se reuniu para louvar e agradecer a Deus pelo Dom da vocação na Paróquia Santa Terezinha, no bairro do Filipinho, com participação da coordenação da CRB local. Era o dia 15 de Agosto.
A Celebração Eucarística, preparada pelas próprias religiosas, foi totalmente dedicada à Solenidade da Assunção de Maria, mulher que a tudo olhava – não com ar de curiosidade, mas para colher as mínimas necessidades daqueles que lhe estavam à volta. Sim, é com esse olhar que cada consagrado contempla o mistério eucarístico presente no corpo de cada irmão.
São João A. Farina dizia: “que o mundo olhe para vós e se confunda”. Como escolher a pobreza, a castidade e a obediência como caminho para uma vida feliz e realizada ainda nos dias de hoje? Esse é o mistério que só o encontro com o “Cristo que nos salva e nos envia” pode explicar. Por isso, estamos em sintonia com o tema da II Semana Nacional da Vida Consagrada 2021, proposto pela CRB Nacional: Cristo nos salva e nos envia.

Somente quem está com os olhos e a alma abertos para a Vida pode cantar como Maria que a “Minha alma engrandece ao Senhor”, expressar que “o Todo Poderoso fez em mim maravilhas” e que “doravante todos me proclamarão feliz”! Foi assim que nós consagrados passamos este dia: no sentimento de gratidão e de alegria, nos deixando ser olhados pelo mundo que, mesmo sem nos entender, admira!
E se em algum momento aqueles que andam com os olhos baixos, fixando os próprios pés todos os dias; se em algum momento eles tropeçarem em sua própria pressa, se desequilibrarem do alto de suas ocupações rotineiras e se caírem de costas olhando para cima… desejo neste momento de confusão repentina (que é o Kayrós de Deus), que encontrem um consagrado apaixonado pela sua vida, cuja forma de agir e falar, de tocar e servir, os faça ABRIR OS OLHOS E SE ENCANTAR. Afinal, um consagrado não precisa falar muito: basta ser um sinal do Céu!


Por Ir. Josiane Cardoso, f.ss.cc
Ontem à noite, uma irmã de nossa Comunidade em São Luís teve a inspiração de fazer um bolo. Já passava das 20 horas e, enquanto lavávamos a louça do jantar, o desejo em seu coração crescia. Ela o verbalizou, houve deliberação entre algumas e, depois a aceitação: um bolo para um dia especial seria feito. Porém, um obstáculo: não havia trigo! Como fazer um bolo sem trigo?

“Ora, pesquisemos outra receita. Que tal um bolo de milho?” – disse a Superiora. A esta altura eu me lembrava de que a relação entre bolos e conventos é antiga. Desde muito tempo, a produção de doces é uma habilidade especial das freiras…

Bem, com habilidade ou não, o fato é que o bolo de milho seria feito uma vez que não havia nem trigo e nem tempo de ir comprá-lo. Afinal, a aniversariante merecia toda essa festa: tratava-se de uma bondosa senhora de 124 anos, porém cujas forças, como Moisés, não haviam esmorecido com o tempo, pois mesmo com essa idade ainda permanecia de joelhos por longas horas.

Curiosamente, tratava-se de um aniversário duplo: também o seu filho, forte e vivaz, completava 25 anos no mesmo dia 12 de Agosto. Pensei logo que ela deveria ter se espelhado em Abraão que, aos 100 anos, gerou Isaac e, donde não se poderia esperar mais nada, fecundou e floresceu a multidão do povo eleito de Deus. “Que virá a ser esse menino?” – meditava comigo mesma.

Enquanto assim pensava, eis que chegou o grande dia 12 de Agosto. A liturgia era Soleníssima: rezamos as Laudes do “Corpo e Sangue de Cristo” e fizemos mais de uma hora de Adoração Comunitária. Aliás, esqueci-me de mencionar que o nome da nobre senhora é exatamente este: “Adoração Perpétua”. Nascida no longínquo ano de 1897 na cidade de Vicenza (Itália) no seio de um grupo de Irmãs que desde o 12 de Agosto daquele ano revezaram-se de joelhos diante do Santíssimo Sacramento para nunca mais sair, intercedendo pelas intenções do Papa, da Igreja e de tantos irmãos sofredores.
Sim, era o aniversário de 124 anos de Adoração Perpétua privada em nossa família religiosa. Interessante que a cada ano que passa ela rejuvenesce e torna-se mais bela, isto devido ao contato sempre profundo com seu Esposo Jesus. Ele, através de seu Coração Eucarístico, transmite a todos os que se prostram em adoração o “elixir da juventude” celestial e o esplendor da beleza que provém da contemplação do Mistério de seu Amor Infinito.

Amor que transbordou e gerou como fruto o Movimento Eucarístico, que na terra de São Luís do Maranhão há 25 anos vem conservando e difundindo entre os leigos a missão de AMAR- ADORAR – REPARAR – AGRADECER a Jesus por meio da Adoração Eucarística, da Palavra de Deus, dos Sacramentos e da oferta generosa do próprio trabalho.

A jornada de adoração na capela do Instituto Farina iniciou-se às 5:30h, com o amor operoso das “mulheres da primeira hora” que correram ao sepulcro quando ainda estava escuro para servir o corpo do seu Senhor (Jo 20,1). Ao longo do dia, Jesus também permaneceu em companhia dos leigos, professores, funcionários e membros do Movimento Eucarístico que se revezaram diante Dele, com pausa durante o almoço, até o momento da missa às 17 hs.

A celebração eucarística foi o ponto alto deste dia solene em que muito louvamos e agradecemos a Deus por suas maravilhas nestes 124 anos de Adoração Perpétua e nestes 25 anos das bodas de prata do Movimento Eucarístico em São Luís (MA). Agradecemos também a todas as pessoas que ao longo desde tempo se doaram e se empenharam para animar os corações a continuarem fervorosos nesta bonita missão que faz parte do Carisma das Filhas dos Sagrados Corações.

E o bolo do início da história? Curiosamente, transformou-se em pão: ao final do dia, foi partilhado, distribuído e multiplicou – em muitos estilos, formas e sabores… Na alegria e na simplicidade daqueles que confiam no Senhor, podemos dizer que ocorreu um belo gesto eucarístico: “todos comeram e ficaram saciados” (Mt 15, 37).

Irmã Donata com a peregrina Emma Morosini na Comunidade Redenção “Sinagoga” Momento Mariano com o Grupo Amigos de São João Antônio Farina Grupo Movimento Eucarístico em Adoração ao Santíssimo Ir. Josélia com sua turminha em uma aula no parque
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